Relato de aventura Funil, Arcana Primária

Aproveito o surgimento de certo tempo para postar uma aventura que iniciei.


Ela é jogada com o recém lançado Devorador De Destinos, que pode ser conseguido aqui, pagando o quanto você achar justo (depois, paga um café pros caras vai). É um suplemento para a Arcana Primária onde você joga com alguns desavisados maltrapilhos tentando sobreviver e se tornar alguém de nível 1. Morre gente a rodo, uma delicia.


Lembrando que todos os livros do sistema (já são QUATRO) são no formato pague o quanto quiser, aqui.


Sessão 1  - 28/01/2025



Os tempos eram difíceis, despedido do emprego anterior e andando pela praça central pode ouvir um arauto que bradava: Trabalho! Trabalho! O império do leste precisa de você!


Os pormenores não foram dados, mas qualquer peça de prata me salvaria da fome. No montante, na praça, haviam mais três, um mestiço de elfo, um pequenino e um homem.


Fomos dirigidos rapidamente para o local do trabalho, um bando de maltrapilhos sedentos por qualquer tilintar prateado ou dourado, ou até pro tilintar de um garfo pegando comida num prato. Fomos para um templo e lá já vimos um bando maior da nossa estirpe paupérrima. Um elfo jazia morto enquanto um tipo grande, mas grande mesmo, apontava para o local que devíamos ir. Ninguém teve coragem de perguntar mais nada e quando chegamos, parecia que o questionamento já havia ultrapassado o limite do permitido. 


Assim seguimos, resignados e com uma ordem simples: limpar o local para onde iríamos. Para bom entendedor meia palavra basta.


Passamos por um portal que se tornava uma escada descendente. A descida terminava em uma área mais ampla, se tornando rústica em suas paredes e de uma altura que a lamparina do grupo não pegava o teto.


Havia um rio de água verde e espuma amarelada e um mini cais, onde uma grande jangada parecia nos aguardar. Subimos. Enquanto subimos apareceu um sujeito estranho, apesar de ser como se ele sempre estivesse lá. De rosto coberto por manto, com a pele alva que dava para ver suas veias. De rosto desfigurado que nem gosto de lembrar.


Após um momento sem dizer palavra um dos nossos jogou uma moeda num jarro, e foi seguido por todos. O Barqueiro desfigurado pegou uma grande vara e começou a guiar a jangada enquanto o fluxo do rio aumentou de maneira sobrenatural. Ele guiava mais do que tracionava. E assim seguimos.


O silêncio era pesado. Uma morte, um quase morto, mais e 20 maltrapilhos. O tempo de esvaneceu e eu sonhava acordado embalado pelo som da água e de um escarrar e outro.


Um zumbido repentino nos despertou da letargia espiritual. Vimos uma nuvem de insetos, escaravelho, besouros, sei lá, eram cascudos. Alguns de nós instintivamente nos atiramos ao chão da balsa. A Lamparina foi apagada. A escuridão ficou sólida. Os insetos chegaram como uma onda de cavalaria, levando 3, como contamos depois, à morte.


Fora os desesperados deitados, outros dois desesperados devem ter começado a desferir golpes a esmo, pois algo passou violentamente rente a minha cabeça e fazendo uma brisa soar como fazem os golpes das armas. Haviam latidos também, rosnados e ganidos.


Uma luz de fogo se acendeu subitamente, e uma espada flamejante colocou os insetos para correr, olhei e vi dois desesperados caindo na água com suas armas. Instintivamente todos esticaram as mãos e as ferramentas que portavam para salvar os caídos, foram então salvos. 


Por um tempo ainda os caídos grunhinham de dor, coisa que diminui quando chegamos em terra firme. Sim, em terra firme, embora agora parecesse que estivéssemos em algo como um sonho. Penso se eu não cai na água e estou sonhando caído desmaiado na balsa.


Me belisco, parece que estou acordado. 


Desembarcamos em terra firme, areia no que parecia ser uma praia. O céu é tão escuro quando antes mas a brisa gelada sussurra um ambiente aberto. Onde fui me enfiar? Nem sei o valor do pagamento!


O Barqueiro curiosamentel saiu da jangada falando soturnamente: “Já não sou mais suficiente!” e começou a andar em direção contrária ao Rio, foi então interpelado por dois pequeninos do grupo: “O que habita aqui? Para onde devemos ir?”

Ele não responde, ergue um cajado (mas de onde ele tirou isso!?) que ilumina em cor verde azulada, abrindo caminho na escuridão. Segue andando. Nós, resignados fazemos o mesmo.


O que nos aguardará? Limpar isso aqui de que? Como voltaremos? Valerá o pagamento? 


Danileison, o humano corneteiro.

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